Hoje, dezenove de julho de dois mil e quinze, em meu apartamento em Florianópolis, inicio um esboço dos meus planos e detalhes de coisas que já se passaram.
Vinte e sete incansáveis primaveras.
Nem sei quando iniciei meu gosto pela leitura, pois na adolescência sempre dormia enquanto lia qualquer livro que fosse para a ficha de leitura da escola. Lembro bem do primeiro livro que me foi solicitado pela professora de Língua Portuguesa, que tinha o rosto coberto por espinhas e cabelos rebeldes e meus colegas a chamavam de "choquito, na época não existia o tal de bullying, então podíamos nos expressar à vontade e descontar as frustrações apelidando os professores. "O Rapto do Garoto de Ouro" da série Vagalume era o nome do livro. Sinceramente? Levei dias para conseguir ler um livro de cento e poucas páginas, não por ser chato, mas por ser obrigatório.
Eu já tive a oportunidade de ler anteriormente "Ela, a feiticeira" com quase o mesmo número de páginas consegui ler em uma noite. Eu tinha menos de dez anos na época. Minha mãe tinha uma estante velha cheia de apostilas e livros antigos das minhas irmãs. Na época eu não entendia qual o motivo que a fazia guardar toda aquela tralha velha, tinha até um livro esquisito chamado "O Morro dos Ventos Uivantes". Eu pensava, Deus, pra quê isso?
Infelizmente só hoje me dei conta do valor inestimável daquele material. Mas tudo bem, eu era apenas uma criança.
Eu tenho contato com meu sobrinho adolescente e sei que as coisas não mudaram muito, ele só lê quando é obrigado e também por motivos de ficha de leitura.
Vivemos em uma época onde tudo é muito fácil, basta um clique e temos o mundo em nossas mãos. Ler para quê? Por que perder tempo com um livro se posso gastar meu tempo com Candy Crush no Facebook ou fazendo selfie com cara de pato para postar no Instagram?
O tempo passou e as fichas de leitura continuam. Tive que ler no ano passado "A Revolução dos Bichos", um livro sensacional que uma professora de alguma matéria relacionada com "ler e escrever" pediu um resumo. Foi uma leitura aprazível, mas não tão boa porque era leitura obrigatória.
Ops, encontrei o erro! "LEITURA OBRIGATÓRIA", mais conhecida como "que saco ter que ler isso porque aquela criatura insuportável pediu e vai valer nota".
Por que é tão difícil ler algo quando se tem prazo? Há quem goste, mas sinceramente, não conheço ninguém assim. Por melhor que seja a estória e o significado dela, sempre será difícil absorvê- la por inteiro quando se tem prazos.
Depois de todo esse discurso a minha proposta seria dar uma lista de livros para que os alunos escolhessem aquele no qual se identificarem mais e pronto!
Imagine uma sala com trinta alunos e um professor. O que é mais cabível, o professor dar um título ou dez títulos? Lógico que apenas um título o pouparia de desgastes e cansaço desnecessário. Mas acredito que o que importa na verdade é fazer o aluno criar vontade e expectativa acerca da disciplina apresentada, e se tem que ler um livro, não importa se é um livro de Machado de Assis ou um clássico de Charles Dickens. Gosto é gosto e não se discute. Todo e qualquer livro publicado merece nossa atenção, alguns são mal escritos, outros são longos em demasia, mas todos merecem nossa atenção. Literatura é literatura. Na pior das hipóteses você estará treinando sua escrita e vocabulário.
Espero sinceramente poder colocar essa proposta além dos planos, espero que num futuro próximo se torne realidade. Quem aprende são os alunos e os professores.
A.
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